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O papel da paternidade para uma sociedade menos desigual

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Uma sociedade que julga a mãe como responsável maior pela criação e educação das crianças é também um desafio para homens que buscam quebrar os estereótipos e cumprir com dignidade e qualidade seu papel de pai. Muitas vezes esses homens estão apenas cumprindo tarefas cotidianas e necessárias na criação de uma criança, mas são vistos como heróis ou o famoso “paizão”. Enquanto as mães são apenas mulheres que não fazem nada além de sua obrigação materna.
No mês das crianças, em busca de uma criação livre, baseada no respeito à diversidade e sem preconceitos, a Piraporiando convidou dois homens para refletir sobre o papel do pai na sociedade atual e para entender como eles contribuem para que as crianças cresçam em um ambiente de igualdade e respeito, onde pais e mães têm papel igual na criação dos filhos e filhas.

Ser pai ou ser apenas o provedor do lar? 

Ismael dos Anjos e André Filipe Alves têm pensamentos parecidos quando o assunto é a diferença no tratamento de pais e mães na sociedade em que vivemos. Para eles, em muitas situações, o pai é visto apenas como provedor, enquanto a mãe cabe o papel de cuidado e zelo pela família. Pensamentos ultrapassados e que contribuem para uma sociedade cada vez mais machista.

– Atualmente, em algumas famílias, as mulheres acabam desempenhando uma dupla jornada, uma vez que na mentalidade de alguns ainda é atribuição dela o cuidar dos filhos ao chegar do trabalho, enquanto ao homem basta ser o provedor do lar e “ajudar” na criação dos filhos apenas quando possível. Confesso que isso sempre me incomodou bastante! Eu nunca quis ser um “banco” para a minha filha. O que ela precisa é de um PAI. E eu sempre quis que ela tivesse um PAI de verdade – diz André, pai de Laura, de nove anos.

– Quando a gente acha que o lugar do homem é de exercer proteção e não cuidado, quando a gente ainda é uma sociedade que conversa que o lugar do homem é de provedor (ainda que mais de 40% dos lares sejam comandados por mulheres), a gente tem problema grave, conceitual e ideológico, que bota os homens não querendo se comportar de modos que se pareçam femininos. E se a gente reserva o cuidado como algo feminino, os homens entendem que não é para eles. Então eu acho que na sociedade em que a gente vive as mulheres são cobradas como se a maternidade e o cuidado fossem tarefas compulsórias enquanto aos homens isso é olhado como forma opcional – completa Ismael.

Tudo começa na criação

Certos pensamentos e costumes, quando passados de geração em geração, criam uma espécie de ciclo difícil de ser rompido. É o que acontece com as frases como “menino não chora”, “meninos têm que ser fortes”, entre tantas outras que inibem a expressão de sentimentos masculina e refletem nas relações com as próprias meninas/mulheres.

– Na pesquisa do Silêncio dos Homens, a gente descobriu que seis em cada 10 homens, foram ensinados a não demonstrar emoções. Vai além do choro: não são ensinados a demonstrar alegria, amor. Um cara que não sabe identificar as próprias emoções e agir de acordo, vai achar que a raiva é a única resposta para tudo, se está frustrado, está com medo… Em tudo vai responder com raiva. E não é um caminho saudável – acredita Ismael.

André usa sua própria história como exemplo de dificuldade de expressar sentimentos, mesmo com seus próprios familiares. Ele atribui a dificuldade de demonstrar afeto no modo de criação do próprio pai:

– Eu, por exemplo, tenho 44 anos e o meu pai 67. No entanto, há apenas poucos anos é que nos cumprimentamos com beijos e dizemos que nos amamos. Parecia que havia uma barreira que nos impedia de nos aproximarmos com demonstrações de afeto. Acredito que isso se devia em grande parte à relação distante e repressora que o meu pai teve com o meu avô – conta.

Por uma paternidade plena e de qualidade

Um termo tem percorrido textos e redes sociais voltadas para a criação de crianças nos últimos tempos: paternidade ativa. Apesar de ser uma expressão aparentemente positiva, levanta alguns questionamentos. Por que a paternidade precisa ser adjetivada, enquanto a maternidade é apenas uma série de ações esperadas e impostas à mulher? Afinal, ninguém sequer cogita uma mãe inativa, certo?

– Fico muito feliz por ver principalmente as novas gerações tão engajadas e preocupadas com o exercício pleno da paternidade. No entanto, sonho com o dia que não seja mais necessário adjetivar a paternidade. Ninguém fala em maternidade ativa; basta dizer “maternidade”, que todos compreendem o que significa. Então, desejo que seja tão comum a participação efetiva dos pais na vida dos filhos, que ao se mencionar a palavra “pai”, seja mais do que suficiente para entender que se está falando de um pai “presente”, não por imposição jurídica, mas por um vínculo emocional com o filho, sem necessidade de adjetivações. É “PAI” e pronto! – diz André.

Para vencer este e outros pensamentos da cultura machista e criar crianças livres de preconceitos, Ismael vê duas possibilidades:

– Eu acho que exemplo e abertura para conversa são bons caminhos. Eu penso que os homens têm o papel de mudarem a si mesmos e servirem de exemplo para os seus filhos. Pelo menos, é o que eu tento fazer com o Francisco. Quando ele vê um pai que entende que cuidado é responsabilidade, não só com ele, mas com a casa, quando ele vê um pai cozinhando, lavando louça, contando quantas cuecas estão sujas, limpas, dividindo a carga mental com a esposa, eu acho que ele vai ter uma compreensão do que é ser homem na nossa sociedade diferentemente da que eu tinha.

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