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Setembro Amarelo: os traumas de quem já foi vítima de bullying

bullying

Alguns depoimentos reais nos ajudarão a refletir sobre esse assunto.

A saúde mental é a protagonista das reflexões reservadas ao mês de setembro – uma atenção que deveria perdurar durante o ano todo. Neste Setembro Amarelo, decidimos trazer aqui uma das principais causas de transtornos de ansiedade, depressão e até suicídio: o bullying.

O que configura a prática de bullying?

A palavra “bullying” deriva do termo em inglês “bully”, que significa, em tradução livre, “tirano”, “brutal”. Sua prática é composta de atos física ou psicologicamente violentos cometidos por uma ou mais pessoas contra uma vítima. Esses atos são intencionais e constantes. Geralmente, o bullying ainda conta com uma espécie de “plateia” – pessoas que testemunham as agressões e se mantêm coniventes aos atos.

Em que contextos o bullying acontece?

Quando se toca nesse assunto, logo pensamos nas escolas. De fato, esse é um ambiente no qual frequentemente nos deparamos com esse tipo de violência. Seja entre crianças ou adolescentes, não raro percebemos violências físicas ou verbais originadas pela intolerância às articularidades de cada pessoa: peso, altura, cabelos, classe social, modo de se vestir, entre outros.

Por mais que essas ocorrências sejam bastante encontradas no âmbito escolar, o bullying também pode acontecer na família e no trabalho, por exemplo.

Normalmente, a vítima se torna reclusa e sente receio de relatar o que tem vivido para alguém que possa ajudar. Isso pode acontecer, entre outros motivos, pelo medo que a pessoa tem de não ser compreendida, ou de ser ridicularizada.

Quais as consequências do bullying para uma pessoa?

De um fato temos absoluta certeza: o bullying deixa marcas em suas vítimas. A constância dos atos de violência, a relação de poder que o praticante desses atos estabelece com a sua vítima: as consequências disso perduram.

Os problemas que nascem do bullying são inúmeros: ansiedade e depressão são dois dos mais comuns – transtornos que, em maiores proporções, podem, sim, levar ao suicídio. Ao ser vítima de bullying, uma pessoa passa a ser insegura e retraída. Passa a sentir medo, enfrenta longos períodos de tristeza e sente dificuldade de encontrar energia para realizar as suas tarefas rotineiras – levantar da cama, ir à escola ou ao trabalho, se comunicar, entre outras.

Queremos, aqui, ilustrar essas consequências de uma forma real. Também, de um jeito que qualquer pessoa que possa ler esse artigo se sinta compreendida e acolhida.

Afinal, nesse tipo de situação, é muito bom sabermos que não estamos sozinhos e sozinhas.

Por isso, trouxemos alguns relatos reais de quem já foi vítima de bullying. Os nomes foram abreviados para manter a privacidade das pessoas que gentilmente compartilharam conosco um pouco de suas histórias.

Estudei na mesma escola desde o fundamental até o ensino médio, onde sofri muito bullying, principalmente entre a 6ª e 8ª série: a maioria das meninas já estava desenvolvendo corpo e eu era muito, mas muito magra. Além disso, sempre fui alta, mais do que a maioria das meninas, então eram muitos nomes que rolavam. Sempre era xingada de “feia”, “desengonçada”, “poste”, “boneco de posto” e por aí vai. Lembro que, em certos anos, eu costumava usar duas calças pra ter mais coxa e bunda, mesmo nos dias de mais calor. Além de meia no sutiã (que na época eu nem precisava usar, porque não tinha nada).

Esses comentários vinham principalmente dos meninos, já que estava naquela fase de dar o primeiro beijo, de marcar as ficadas. Pra mim, isso nunca aconteceu. Eu lembro que eu tinha uma ansiedade muito forte em perder o "BV", mas ninguém queria, até que uma amiga, quando a gente uns 11 ou 12 anos, fez um "acordo" com um menino. Se ela ficasse com ele (ele queria muito ficar com ela), ele teria que ficar comigo depois, e foi assim que aconteceu meu primeiro beijo.

Hoje em dia, minha altura é um ponto muito forte na autoestima. Eu odeio ser alta, mas passei a me acostumar um pouco e recentemente comecei um processo de aceitação.

Conheço outras meninas que têm uma altura próxima e isso faz eu me sentir menos sozinha. Em relação ao corpo, com o passar dos anos, fui ganhando forma, mas estou ok com isso, não tenho mais tanto essa preocupação e não busco muito me preocupar com o que os outros pensam. Isso foi um processo longo e doloroso, não é algo que eu vá esquecer, mas hoje eu sigo em frente.

Depoimento de G.

Quando eu era criança, além de ser muito, muito magra, eu também não conseguia pronunciar o “R” direito. Até hoje não consigo, mas de uma forma mais leve. Isso significa que a minha infância e adolescência inteiras foram marcadas por apelidos pejorativos que faziam eu sentir muita vergonha do meu corpo, da parte de colegas, de amigos e até da família. Também riam demais de mim por causa do meu “R”, eu não conseguia falar nada sem que alguém ignorasse o que eu havia dito pra me ridicularizar.

Tudo era motivo pra essas duas questões serem usadas contra mim. Era frequente demais, todo dia acontecia algo. Desde sempre eu acreditei que era tímida, mas na verdade eu só fui me sentindo cada vez mais insegura, até um ponto em que falar ou me expor me deixava em pânico, coisas que sinto até hoje. Nunca fui a pessoa que fala alto, a aluna que faz perguntas, que se comunica, porque eu sabia que iam rir de mim. Na adolescência, teve uma vez em que minha mãe me deu de presente uma blusa que era justa e eu tive uma crise gigante de choro, porque eu jamais ia ter coragem de mostrar algo que deixasse meu corpo em evidência. Na adolescência todas as meninas eram desejadas. Eu nunca fui. A minha autoestima era tão, tão baixa, que o meu primeiro beijo foi aos 15 anos com um homem de 21.

Na minha cabeça, era o máximo ter alguém mais velho querendo algo comigo e hoje eu me sinto muito, mas muito mal por saber que um homem maior de idade se aproveitou de mim quando eu era só uma adolescente triste, perdida e obviamente muito manipulável.

Hoje eu tenho menos problemas em aceitar o meu corpo, minha fala, mas eu ainda vivo com medo de abandono, de ser ridicularizada, de não ser o suficiente. Não há um dia em que esses traumas não interfiram na minha rotina de alguma forma.

– Depoimento de D.

Como lidar com o bullying?

No papel de educadores e educadores – profissionais ou familiares, precisamos aprender a identificar esse tipo de situação e lidar com ela. Precisamos encontrar meios de impedir que nossas crianças passem por essas experiências que acabamos de ler – e muitas outras.

Quando uma criança ou adolescente aparenta estar mais recluso ou reclusa que o normal, quando apresenta baixo desempenho escolar ou até receio e falta de vontade de ir à escola: tudo isso pode ser um sinal de alerta para algum tipo de violência. Ao percebê-los, devemos agir.

Uma infância e uma adolescência sem discriminações e preconceitos nos torna em adultos e adultas com mais segurança, adeptos ao pensamento crítico, mais tolerantes.

Evitamos que as taxas de suicídio sejam tão altas e que a ansiedade e a depressão sejam constantemente chamadas de “mal do século”, tamanha a frequência com que essas acometem as pessoas.

Por essas razões, a Piraporiando acredita em uma educação que celebra a diversidade e que tenta prevenir o bullying. Nossos livros, nosso curso e nosso programa educacional Educação para a Diversidade trazem esse debate à tona. Se você tem interesse nesses projetos e materiais e deseja aprender, junto conosco, como agir nesse tipo de situação e ter esse tipo de reflexão não apenas durante o Setembro Amarelo, mas todos os dias, basta clicar aqui

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